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sexta-feira, fevereiro 27, 2004

Imaginações 

Comecei com esta brincadeira já nem sei bem quando e cada vez acho mais graça a tão saudável actividade. O que já aprendi nestes poucos meses dava já para ser campeão no Trivial Pursuit. Brincadeira à parte, serve a Blogosfera, pelo menos, para nos dar lições de humildade. Para nos reduzir à nossa pequenina dimensão e ignaro estatuto. (Ó Emílio achavas tu que eras culto e vivaço? És mas é uma ganda besta, um verdadeiro calhau com olhos.) Se há, neste pequeno mundo, os que se limitam a transcrever citações e extractos de textos de sumidades da Intelectualidade Universal, aos quais eu nunca teria tido acesso nas versões completas, outros existem que, de sua própria autoria, nos arrasam com verdadeira sapiência, cultura, mundo e saber dizer. Agradeço a todos do fundo do coração.

Por outro lado a bloguite também nos pode proporcionar outro tipo de passatempos. Por exemplo e no que me concerne:
Tenho a mania de me pôr a adivinhar o aspecto físico de quem leio, pois é-me indispensável atribuir uma imagem a quem a mim se dirige. É um acto involuntário e subconsciente. O que é curioso é que alguns dos meus leitores e lidos habitam com nítidos daguerriotipos nas paredes da caverna do meu bestunte. De ir às lágrimas, de certeza, seria no dia em que os pudesse conhecer em carne e osso e constatasse o total desfasamento da realidade (ou não).
No que respeita ao elementos do sexo feminino e para já, são todas, sem excepção, belos exemplares do género humano. A beleza interior que lhes sinto deve colar-se ao boneco que concebo sem querer. Não consigo imaginar coirões e estafermos a escreverem textos tão doces, sensíveis, inteligentes, humorísticos e poéticos.
Assim tenho para mim que (riam-se à vontade):

Azul Limão: 30 anos. Magra, meia estatura, cabelo loiro médio, olhos azuis muito claros, doces, queixo algo voluntarioso, nariz ligeiramente afilado.

Blogotinha: 40as. Gorducha, eléctrica, simpática, faz covinhas a rir, cabelo e olhos acastanhados, 1,70 m
dentes incisivos um pouco maiores que os outros.

Marta-Ataca: 30s e tais. Estatura média, boa figura, pernas espetaculares, cara sobre o largo, nariz proporcionado. Cabelo e olhos escuros mas pele branca.

Estórias Minhas: 20 e muitos.Cabelo comprido pelo meio das costas, figura agradável, aparência calma e reconfortante, de fácil convívio, morena na verdadeira acepção, olhos de sonho.

Minha Alma: 20 e picos. Cabelo curto, negro, tez branca azulada, olhos rasgados e pestanudos com algumas olheiras, compleição delicada quase etérea. Transpira bondade.

Pensativa: 20 e não muitos.Um bibelo(t)sinho. Cabelinho curto e loiro acobreado, lábios cheios, olhos redondos e verdes. Sendo um bocadinho cheinha, na conta, tem um andar elegante e leve. Também ri com covinhas e fecha os olhos quando o faz.

São Rosas: 30 passados. Mais alta que a média, magra mas bem proporcionada, um pouco desleixada no penteado num cabelo castanho claro e escadeado, tem uma postura um pouco curvada. Uma face risonha, desinibida, com uma boca fina e sobre o grande. Ligeira tendência para rugas. Pernas proporcionalmente longas e tronco mais curto. Nada de dramático.

Em quantas acertei?

quinta-feira, fevereiro 26, 2004

Aborto: a minha perspectiva 

A morte de um ser humano é sempre e inquestionavelmente condenável, dêem lá as voltas que quiserem e esgrimam com a retórica mais elaborada que arranjarem.
A interrogação principal, no que concerne ao aborto reside sempre no mesmo: em que momento da gestação aquele conjunto de células se torna num ser humano?
Quando passa de tumor a Ser Humano.
Não vamos ao ponto, que me parece perfeitamente idiota e nada abonatório em favor da defesa anti-abortiva, de que tanto o óvulo como o espermatozóide devem ser considerados intocáveis. Apesar de serem células autónomas geradas pelo corpo humano são excretáveis e morrem por processos naturais. Agora, será a partir da primeira célula portadora já do numero completo de cromossomas, e portanto já com a assinatura genética dos pais, que temos um bébé?
Será a partir da primeira golfada de sangue, bombada pelo coração do feto e recebida pelo cérebro em formação?
Será a partir das doze semanas?
Quem pode, em consciência e boa moral estabelecer o critério correcto?
Dirão os pró que a aproximação é aceitável. Se é aceitável não é totalmente aceite.
Há portanto grandes dúvidas! Parece-me que até aqui estamos todos de acordo.
O Direito dos Homens estabelece que, ao acusado (no caso o feto, ser vivo, acusado de ter aparecido sem ser desejado) e na dúvida por falta de evidência, assiste o direito da Absolvição, mesmo que a pena para o crime seja a Pena Capital. À parte o estupro violento ou a deficiência mental ou física de um dos intervenientes, como provar, por exemplo, que a concepção foi involuntária em todas as outras circunstâncias ?
O Direito dos Homens consagra o direito de defesa ao Acusado e ao Condenado até ao cumprimento integral da pena ou até ao momento da Execução.
O Direito dos Homens considera inimputavel, e portanto incapaz de perceber a razão da condenação pelo crime praticado( não sei se os termos são irrepreensíveis, mas para o caso não interessa), todo aquele que não tem capacidade intelectual para apreender a realidade ( o feto).
O Direito dos Homens, ao estabelecer, portanto, uma condenação à Pena Capital para um ser vivo com dúvidas na existência ou não da sua Qualidade Humana, e na certeza da incompreensão, pela parte do mesmo ser, das razões da sua condenação à morte pelo crime de ter surgido sem a vontade expressa da mãe, do pai ou dos dois, comete um Erro deliberado! Enferma de dualidade de critérios. Nega-se a si próprio.
A Justiça Salomónica ao pé desta, nem aos calcanhares lhe chega...
É um mal menor, dirão muitos. Então experimentem se são capazes de contratar alguém para desfazer aos bocados, com instrumentos adequados, um parente chegado internado do Júlio de Matos ou um desgraçado em coma sem remição num hospital porque são incómodos para a sua felicidade, comodidade e bolsa.
O Cidadão ou Cidadã pró-aborto pode argumentar assim:
- Eu mando em mim e só terei filhos quando quiser.
- Então não os faça! Duvido que haja alguém neste país que não tenha acesso a um preservativo. São os animais que têm que cevar a tesão no momento. Por muita que seja a paixão, que diabo, dá para o machão perder 15 segundos a agasalhar-se.
Gostava de conhecer o perfil médio da mulher que aborta sem razões médicas.
- Ninguém me obriga a amar o meu filho à força.
- Boçalidade alienígena. Só diz isso quem nunca teve filhos ou é de outro planeta. Todas as fêmeas de animais superiores, paridas, têm instintos maternais. E quem não ama os filhos é logo à partida e biologicamente uma aberração, e portanto o Estado deve proteger a criança tomando-a à sua guarda ao menor sinal de violência.
- Podem falar também de crianças infelizes criadas sem tempo, rivais de carreira e outras situações de grande sofrimento moral. Sem dúvida. Mas o sofrimento moral não é para os pais, pois não dão por isso. Não é para a criança que, habituada desde a mais tenra idade, acha normal ou quando muito uma simples contrariedade. É sim para os avós, tios ou padrinhos que observam de fora e que podem muita vez preencher as maiores lacunas.
Gostava de ouvir a resposta de uma dessas crianças à pergunta: Queres continuar a viver assim ou gostavas de nunca ter nascido?
- Somos muito pobres não podemos ter filhos.
- O Estado pode forçar a esterilização e assume a criação das crianças, a partir de
determinado número de filhos, mediante um subsídio realista.
Podem ser formadas ONGs para acudir a mães e filhos. Se toda a gente que vota contra o aborto se juntar, nem que seja com uma quantia simbólica, digamos 100 Euros, façam as contas e vejam se não conseguem implementar um núcleo de organização de assistência capaz. E levaria muito menos tempo do que aquele que já passou a discutir o sexo dos anjos. É preciso é vontade de esvaziar a argumentação abortiva!
Se calhar escrevi muitas asneiras, mas estas não têm intenção de matar ninguém!
Muito mais haveria a dizer e muita gente a não ouvir.
Quem não quiser ouvir pode ver aqui, por indicação da mui nobre e encantadora Azul Limão.
Vale a pena divulgar!


quarta-feira, fevereiro 25, 2004

Estou um pouco farto... 

Numa peça televisiva, daquelas, boas, com que somos bombardeados todos os dias, era descrita a desdita de uma pobre vítima da Talidomida, às voltas há dezenas de anos com um processo de indemnização a que tem direito. Salvo erro com acordão lavrado e tudo. Mas a seco, como já se vem tornando hábito.
Sobre a justeza da causa, sobre a morosidade e eficiência da (in)Justiça só posso enaltecer o propósito da denuncia mediática de tais casos.
Sobre o conteúdo da curta-metragem... das duas, três: ou 1) o jornalista é um sádico, ou 2) um viciado no humor negro, ou 3) Um espertalhão à procura de promoção por aumento da taxa de audição ( ão, ão, ão).
A vítima, uma senhora de talvez quarenta anos (que ela me perdoe(?)), de aspecto agradável, tem as pernas atrofiadas, mas que funcionam normalmente, implantadas num tronco de dimensão absolutamente normal.
Para mim, bastaria filmarem a senhora em pé ou sentada, de modo a que se visse a deformação, ilustrando assim o caso .
O que fez o repórter? Pôs a dita senhor a passear, passinhos para aqui, passinhos para ali, em takes dramáticos, os quais culminam com uma penosa ascensão para um sofá! E isto repetido várias vezes!
Digam-me cá! Estarei errado em me indignar? Alguém me condena pela vontade que tenho de serrar os presuntos ao responsável, atar-lhe um baraço ao pescoço, filmá-lo a subir e a descer do eléctrico em andamento e mostrar o resultado no Jornal da 20 ?

segunda-feira, fevereiro 23, 2004

"Em arte, procurar não significa nada. O que importa é encontrar" Picasso 

É. Para pintura, escultura, teatro, cinema, etc.. Em Portugal damos excessiva importância à busca, à pesquisa, à experiência. O resultado raramente é alcançado porque o fim desses exercícios são eles, os próprios exercícios. Normalmente não existe nada a encontrar. Na sua mediocridade os pesquisadores não fazem a mínima ideia do que buscam nem lhes interessa. O seu fito é encontrarem um intelectualoide igualmente incapaz mas com visibilidade pública, que do alto do pequeno degrau para onde, a custo, conseguiu trepar, perore “...sentimos Arte na busca dramática e imparável e incomparável do autor...”. Carreira garantida!
A busca, a pesquisa, a experiência são para se fazerem em casa. O que cá sai para fora deverá ser o que se encontrou, o que se compilou, o que se deduziu. O resto, como alguém disse, é como os tintins – colabora sim, faz indispensavelmente parte, mas não entra.
Meus caros amigos, deixemo-nos de merdas! Uma obra tem Arte ou não a tem! (ops,... ganda LaPalissada). Não existe Arte assim-assim, quase Arte, meia Arte ou Artesinha. Existe a Arte que pressupõe, e não existe sem, Talento. O qual nasce com o Artista. As técnicas aprendem-se o Talento não. Há-o ou não há-o!
No que respeita às chamadas Fine Arts, que são aquelas que especialmente me interessam, nomeadamente na Pintura, e não só, tenho para mim, que:

- Para aqueles que gostariam de dar os primeiros passos nestas lides, podem ter a certeza de que, à partida, 80% do trabalho artístico consta de observação, e de tudo o que daí resulta, e somente 20% do chamado jeito. Não desistam aos primeiros traços. Observem, observem e observem até doerem os olhos. E depois toca a sujar o papel.
- Para os que já dão uns toques, nada de peneiras. Jeito não é Talento. O Talento, quando existe surge com a prática.
- Para os que querem singrar, sustentadamente ( que é uma palavra que me irrita), comecem pelo Desenho. Deixem-se cá de abstracções enquanto não forem capazes de alinhar 2 traços. Se não querem incluir-se naqueles a que acima aludo. Eu sei que é muito fácil esgalhar uma tela com umas manchas coloridas que até têm umas cores porreiras e ficavam bem naquele canto por cima daquele sofá. Podem sair aos molhinhos durante um período muito limitado no tempo. E depois? Depois: “Olha, lá está um do F...Já não se pode ver! É como o rabo, toda a gente tem um! Estou farto do meu!
- Para os que pintam muito rápido elementos todos iguais, sejam florsinhas, casinhas, pessoasinhas, arvoresinhas, etc., isso não é Arte. É Artesanato. Sem qualquer intuito depreciativo, pois também é fundamental para a cultura de um Povo, mas não é Arte. Não confundir com Arte Naif.
- Para todos, muita, muita Humildade. Muita Autocrítica. Muito tempo de Amadurecimento Interior. Sem medo do faz/desfaz. Quando achares que o quadro está praticamente pronto, pára. Durante 3 dias não olhes para ele. Durante três dias visualiza-o na cabeça e analisa-o sem o ver. Vais ficar espantado(a) com o que acusadora e desagradavelmente ressaltará novamente na sua presença. Altera sem hesitar! Recomeça o processo.
Palpites dum parcialmente Auto-Didacta, com Mestrado em Pá,ÉsBestial!
Adoraria ver este País embrenhado na Arte. Que é tão mais recompensadora que a política e tão mais honesta.
Voltarei ao assunto.
Pedia aos meus leitores mais lidos na Blogoesfera que, se acharem que vale a pena, divulgarem estes pensamentos mentais, omitindo mesmo o autor, para que aqueles que os lerem e se sentirem abrangidos por alguma parte do conteúdo do texto, possam de algum modo ter uma ideia de como evitar algumas asneiritas do percurso. Bem hajam!

sexta-feira, fevereiro 20, 2004

Desabafo muitíssimo pessoal... 

Depois de toda a argumentação que tenho lido sobre a defesa da problemática homossexual e depois de meditar, julgo que honestamente, em tão delicado e actual assunto, é com o coração nos dedos que declaro solenemente e para que conste, que:

Aceito
1) Que um ser morfologicamente de um dos dois sexos tenha atracção sexual por outro morfologicamente do mesmo sexo.
2) Porque parto do princípio que a sexualidade destes indivíduos, nos dois membros do casal, tem orientações opostas em cada um, sem dúvida devido a razões do foro hormonal, e assim sendo, a atracção afectiva mútua terá de ser aceite como natural. Natural por existe.
3) Também que indivíduos sujeitos a esta situação, que não escolheram, uma vez que foi a própria Natureza que assim os predispôs, queiram não ser descriminados pela sociedade.
4) Que o Estado, como emanação da sociedade, tenha obrigação de proteger legalmente a união de indivíduos que voluntariamente o desejam, com todas as suas consequências materiais.
5) Que estes casais promovam o folclore que entenderem no Acto Oficial da sua união.

Não aceito
1) Que se chame Casamento a esta união. Arranjem-lhe outro nome. Para mim, o Casamento teve origem na necessidade, impressa nos genes de todas as espécies, de acautelar manutenção da espécie humana, atribuindo um estatuto oficial de reconhecimento pela importância de um acto que garante a manutenção da espécie pela estabilidade da união de indivíduos que, à partida e biologicamente, estão aptos a procriar. Estou convencido desta razão primordial. As religiões, de um modo ou de outro, sacralizaram o acto e estabeleceram a importância da família, oriunda dessa união, como núcleo da própria sociedade, curiosamente, proibindo o acasalamento de familiares do 1º grau. Sabia-se que ao darem filhos, estes seriam , com elevadíssima probabilidade, estéreis, deficientes ou nados-mortos, incapazes portanto, e mais uma vez, de garantirem descendência. A Moral tem também motivações físicas ocultas.
2) Que me queiram enfiar à força que os dois tipos de união são exactamente a mesma coisa.
3) Que famílias constituídas baseadas na adopção por parte de casais homossexuais terão o mesmo espírito das outras derivadas de casais heterosexuais.
4) Que os indivíduos assim adoptados, incapazes de escolher os pais, tenham comportamentos ditos normais. Eles podem, na idade da razão, passar a sofrer de traumas irrecuperáveis ao darem-se conta da peculiaridade da sua existência, face à esmagadora maioria da população, já para não falar dos amigos íntimos e colegas.
Tenho postado!

Pessoal sexual e indiscriminadamente entusiasta e hoje politicamente correcto!

Lamento muito mas, cá para mim, por muitas voltas que dêem, por muito que Estado os proteja, por muito que estrebuchem, nunca serão aceites como “normais”. Quer queiram quer não. Podem e devem exigir que o Estado os não descrimine. Mas a maioria dos elementos da sociedade, no seu íntimo, nunca os conseguirá aceitar como seus iguais - Subliminarmente , o crescimento do número de gays, assim como o dos clones contribui para a extinção da espécie! E o instinto de sobrevivência é superior a todos os outros! Para todos os grupos zoológicos.

Sejam pacientes. A almejada igualdade chegará com as Instituições de Clonagem a trabalhar em pleno. O perigo primevo estará afastado. Nessa altura o sexo um passatempo e a excitação obtida exclusivamente por meios artificiais. Casais de clones idênticos, de misóginos, proliferarão e cada um poderá então gritar alegremente a quem o quiser ouvir : Finalmente, f...i-me!
E, amargamente, será Verdade...

Ah, é verdade, tenho 2 amigas e um amigo dos aqui aludidos, com os quais falo abertamente do assunto e que básicamente concordam comigo. Como eles deverá haver muitos outros, espero que a grande maioria. Foi só por isso que isto escrevi.

quinta-feira, fevereiro 19, 2004

Dizer por dizer... 

Está à vista que eu, para intelectual, vou ali já venho. Divagações palavrosas em torno de assims e assados e de porque istos e porque aquilos provocam-me impaciência e tédio. Gosto é de histórias, estórias, contos e narrativas. Poesia, alguma, também curto. Com princípio meio e fim, não só no texto como nas ideias. Pensarão alguns de vós: que grande besta! Seja. Não me importo e devolvo o pensamento a quem enfiar a carapuça. Apesar de algumas amigas mais íntimas me dizerem que tenho a sensibilidade de uma arrastadeira, desde já lhes afianço , sob palavra de honra, que não é verdade. Eu até gosto dos passarinhos a pipilar nos beirais e do marulhar das ondas na praia e do pôr do Sol e dessas coisas assim...
Isto vem tudo a propósito de alguns posts que de vez em quando lobrigo aqui nesta nossa blogoesfera.
Ataco-os pleno de entusiasmo, pois dou conta num primeiro passar de olhos que talvez o assunto me interesse dada uma palavra ou outra, e à medida que tento absorver o esvaziar da alma do autor, a frases tantas dou comigo a (detesto aspas mas aqui tem que ser) “fazer bola”. Sabem, quando os bebés não conseguem engolir? E aí chegado faço como eles: vai tudo fora! Não sob a forma de bolo alimentar mas num chorrilho de asneiras. É um alívio! E vingo-me! Não os linko, pronto.
Este meu bloqueio é ecléticamente encantador . Tanto acontece com política, como com filosofia, crítica de música, crítica de arte, poesia, etc...
Acho que dou incomensuravelmente mais importância ao enredo do que às qualidades do texto. É isso, rapaziada - a coisa tem que ter enredo!
E por descarada ironia esta posta não o tem. Mas é curtinha , para mentes parecidas com a minha e no melhor pano cai a nódoa.

quarta-feira, fevereiro 18, 2004

Homenagem 

Não sei porque me lembrei disto hoje. Se foi alguma (mais uma) notícia de corrupção na Administração, se foi o relatório sobre o estado caótico dos resultados das Empresas estatais se foi simplesmente uma enorme saudade. Do meu Pai. Morreu há 20 anos, aposentado. Foi funcionário superior de uma prestigiada Instituição Pública. As funções que desempenhava prestavam-se como poucas, a abichar umas largas notas por fora sem que ninguém desse por isso, pois nunca essas verbas entrariam no circuito. Mas... O vencimento auferido nunca foi suficiente para ter casa própria, e aquilo que deixou à minha Mãe, por que os filhos nada quiseram, chegou, a custo, para a compra de um pequeno terreno na periferia afastada da Capital, no qual foi instalada uma casa pré-fabricada, chamada das bonecas, para onde foi viver minha Mãe. O meu Pai falava pouco e nunca me deu lições de Moral. Acho que a considerava intuitiva e óbvia.
Sempre privou com amigos de posses infinitamente superiores e nunca lhe ouvi nem sequer um simples murmúrio de inveja. Tinha bastante mau feitio mas ao mesmo tempo adorava umas boas piadas e era exímio a contá-las. Com um coração de ouro conseguia passar dias amuado, muitas vezes por alguma coisa que lhe acontecia ou que se lhe dizia. Eu, quando achava que já era demais, aproximava-me e fazia-lhe cócegas. Isto, já na minha mais que maioridade. Lá se desmanchava o senhor. Soltava uns palavrões após os quais amansava, rindo-se. Era a bonança depois do céu encoberto. Acompanhei-o na doença os 2 últimos anos de vida, como quem protege um filho pequeno, sendo ele um homem grande com bem mais um palmo do que eu. Tive o consolo de assistir ao derradeiro suspiro. Já lá vão vinte anos e no momento que isto escrevo, estou a chorar. Obrigado Pai, de me não teres deixado rico! Teria sido um sarilho para justificar um volume de herança desproporcionado tendo sido legada por um funcionário público. Ou talvez não...Que lhes parece?
Hoje sou mesmo o Lamechas!

segunda-feira, fevereiro 16, 2004

Saudades 

Ana Maria, onde andas tu, filha?
Já perdi uma arroba e a barba chega-me ao peito! As escaras cobrem este meu corpo estiraçado no catre do qual não consigo mais erguer-me. Esvai-se-me a imagem que construi de ti, através dos teus escritos aqui e em correspondência mais íntima. As minhas unhas, qual garras, ferem as palmas sujas das mãos, que já não consigo abrir. O odor, sei que é nauseabundo. Mas não o sinto. Do nariz restam dois orifícios, obstruidos por crostas, pois as ratazanas apoderaram-se do resto. Ai de mim! A peça anatómica da qual mais me orgulhava. Não pela dimensão. Sim pela estética. Ana, dá-me, a mim, um pequeno sinal da tua existência e também à extraordinária multidão que me costuma visitar! Aqui, um sorriso amargo e desdentado rasga-se em fenda na minha face cadavérica.
É mentira! Ha,ha,ha...........................ha!
Não há multidão coisíssima nenhuma! São mais ou menos 3 a 5 caridosas creaturas por dia, quando são...Há dias que para aqui estou a contar os piolhos, pois não vem ninguém.
Apesar de tudo a Esperança não me deixa!
A coitadinha tem tanta fome que deve estar à espera que eu me passe para, sem remorços, abocanhar um ossito cá do rapaz pois a carne será escassa.
Tchta cão...sai de cima de mim!

quinta-feira, fevereiro 12, 2004

Sexta-feira,13 

Sexta feira treze,
Dia aziago
O espelho partido,
O vinh’ entornado.

Cospe p’rao chão,
Molha a orelha
Não dês razão
À bruxa velha.

Qu’é dona do gato
Que está na ‘scada.
Não passes por baixo!
Mas que malvada...

Mata o bichano,
Arrepia caminho
E a tua sorte
Volta de mansinho.


Aguentem-se...

quarta-feira, fevereiro 11, 2004

Novo make-up 

E que tal?

terça-feira, fevereiro 10, 2004

Não costumo falar de política pois cada vez a entendo menos. E há quem o faça de tal maneira bem, que qualquer texto surgido neste blogue, sobre o assunto, haveria de parecer redacção de menino da instrução primária. E eu tenho o meu orgulho!
Portanto, sem perigo de equiparação a tanto brilhante polcomentarista, reproduzo um pequeno texto que recolhi algures na blogolândia e que me impressionou pelo conteúdo (e pela má tradução). Lembra arenga do Pai Cunhal ás massas. Quase que me comovi! Vejam lá:

“Desde há muito que nós considerávamos o Comunismo como uma Poesia, e a própria poesia do século XX (com o fascismo, sem dúvida). Digo de mim para mim isto não pode morrer. As pequenas crianças que serão mais tarde rapazes de vinte anos, hão-de ter a revelação, com maravilhamento nostálgico, da existência desta exaltação de milhões de homens, dos campos de juventude, da glória do passado, dos desfiles, das catedrais de luz, dos heróis mortos em combate, da amizade entre a juventude de todas as nações despertadas, de Lenin, do Comunismo imenso e rubro.
(...) Ele continua a ser a mais exaltante verdade do século XX, aquela que lhe dará a cor. O que nós lhe reprovamos, por amor à verdade, provém quer das insuficiências nacionais, quer das difíceis condições de vida, quer mesmo da guerra (e neste caso as democracias cometeram igualmente esses erros, se erros houve). Mas o seu calor, a sua grandeza, o seu fogo maravilhoso, isto é próprio dele. Um campo de juventude na noite, a impressão de fazer corpo com a nação inteira, a inscrição nas fileiras de operários e camponeses do passado, uma festa totalitária, eis elementos da poesia comunista, eis o que terá feito a loucura e a sabedoria do nosso tempo, eis o que, tenho a certeza, a juventude, dentro de vinte anos, esquecendo taras e erros, há-de olhar, com uma profunda sedução e uma incurável nostalgia.”

Agora vem a parte melhor:
Substituam todas as palavras comunismo pelo vocábulo fascismo e vice-versa, Lenin por José António e operários e camponeses por heróis e santos e o que é que obtêm?

--Extractos de um texto de Robert Brasillach (escrito na prisão de Fresnes, em 1945), fuzilado pela Democracia.
Assim, baralho-me! É por isso que não gosto de política!
Ele há coisas...!





quinta-feira, fevereiro 05, 2004

Pequeno poema alentejano feito por ocasião da inauguração da ponte de Odivelas (Alentejo). Existe uma versão mais completa. Se alguém a tem que desembuche s.f.f.

Graças a Dês que já téin,
Odivelas sua ponti,
Com uma estalagên de fronti,
Proparada,
Prá quéin vier de jornada,
Ali poder descansári
Sen prigo de s'afogári
Na rebêra.

O homên que a fez,
Capitão de engenharia,
Do sê negócio sabia
A valêri.
Na manga tên três galões,
Na ponti pôs três pegões
Pr'a rebêra
Corrêri.



quarta-feira, fevereiro 04, 2004

Acho que todos somos um bocadinho saloios e macacos de imitação!
Como vi esta graciette algures em vários blogues, resolvi copiar a ideia e aqui está o que eu sou e, tem piada, não querem saber que é verdade?:



the Which van gogh painting are you? quiz by bethany


terça-feira, fevereiro 03, 2004

Pode não parecer, mas tenho a mania que posso mudar o Mundo . Inofensiva idiossincrasia!

Muitos de vós, provavelmente já conhecem este trecho, mas muitos outros não. Se acharem que vale a pena divulgá-lo e se estiverem para isso...! Desconheço o autor e o texto não é um primor de peça literária mas apresenta duas qualidades indispensáveis ao fim a que se destina:
1) Tem uma clareza encantadora.
2) Apresenta uma subjectividade despicienda.

Não precisam de fazer um link para aqui, pois não é isso que pretendo. Sugiro um mero copy/paste para os vossos blogues, que não custa nada. O meu único propósito é dar um micro contributo para tentar melhorar esta cagada deste País. A esperança é pouca, contudo.

Por Portugal
Para reflectir...

A diferença entre países pobres e ricos não é a Idade do país.

Veja o caso de países como o Egipto e a Índia, que tem mais de 2000 anos e são pobres, e a Austrália, o Canadá e a Nova Zelândia que há 150 anos quase não existiam e hoje são países desenvolvidos e ricos.

A diferença entre países pobres e ricos não reside nos recursos naturais disponíveis.
O Japão é a segunda economia do Mundo, com 80% de território montanhoso e impróprio para a agricultura e a criação de gado.
No entanto, o país é uma imensa fábrica flutuante, importando matéria-prima de todo o Mundo
e exportando produtos manufacturados.

A Suíça, apesar do seu pequeno território, cria animais e cultiva o solo durante apenas quatro meses no ano. Fabrica laticínios da melhor qualidade e produz o melhor chocolate do Mundo importando cacau de África. Pequeno país, tem uma imagem de segurança, ordem e trabalho,
o que o transformou na caixa forte do Mundo.

Os executivos de países ricos em comparação com seus pares dos países pobres, mostram que não há diferença intelectual significativa.

A raça ou a cor da pele também não são importantes. Imigrantes rotulados de preguiçosos
nos seus países de origem, são a força produtiva dos países europeus ricos.

Então, qual é a diferença?

A diferença é a atitude das pessoas, moldada ao longo dos anos pela Educação e pela Cultura.Nos países ricos e desenvolvidos, a grande maioria das pessoas segue os seguintes princípios de Vida:

1.A ética, como princípio básico.
2.A integridade.
3.A responsabilidade.
4.O respeito pelas Leis.
5.O respeito pelo direito dos demais cidadãos.
6.O amor ao trabalho.
7.O esforço pela poupança e pelo investimento.
8.A disciplina.
9.A pontualidade.


Nos países pobres apenas uma minoria segue estes princípios básicos na sua vida diária.
Portugal não é pobre porque nos faltam recursos naturais ou porque a natureza foi cruel connosco.
Somos pobres porque nos falta vontade para cumprir e ensinar esses princípios de funcionamento das sociedades ricas e desenvolvidas
.”

VERDADE OU CONSEQUÊNCIA?

segunda-feira, fevereiro 02, 2004

O AAnes deixou-nos.
É ao mesmo tempo curioso e dramático o desaparecimento de um blog que visitamos todos os dias. Para mim ele torna-se uma parte significativa da minha vida. Choro quando ele chora e rio quando ele ri. Além disso, neste caso particular, devo muita coisa à respectiva autora. Um grande Obrigado Ana! Sem ela não teria sido tão rápida a construção deste sítio.
A Blogosfera perde um valiosíssimo elemento. O coração deste vasto espaço fica mais fraco e a sua alma mais feia.
Mais não digo pois detesto lugares comuns e a Ana não os merece.
Até ver! All the best!

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