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segunda-feira, maio 31, 2004

Convidada 

Hoje posto para apresentar a minha convidada Moon. Como local de desabafos, choro e ranger de dentes, espero que nossa Moon desabafe , chore e ranja os dentes aqui e por muito tempo. Seja bem vinda!
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Começo a semana não muito contente. Tenho finalmente que me convencer que sou um chato. Tenho uma conversa chata sobre assuntos chatos. Repiso sempre nas mesmas coisas. E mesmo as pessoas que gostam de mim fartam-se e despacham-me rapidamente. Sou especialista em desfazer encantos...
Um trapo velho que já só tem lugar no lixo. Único consolo - sou biodegradável!

domingo, maio 30, 2004

George W. Bush 

As coisas que ele diz:

- " Sei como é difícil para vocês providenciarem alimentos para a nossa familia."
- " O trabalho mais importante não é ser governador ou primeira dama, como é o meu caso."
- " O trabalho do legislador é escrever a lei, cabe ao executivo interpretá-la."
- " Eu creio que dirigimos de modo irreversível, no sentido de mais liberdade e democracia, mas isso vai mudar."
- " Um número baixo de votantes é uma indicação de que menos pessoas estão a votar."
- " Se não tivermos sucesso corremos o risco de fracassar."
- " A grande maioria das nossas importações vem de fora do país."
- " O Holocausto foi um período obsceno na história da nossa nação."
- " Nós vamos ter o povo americano mais bem educado do Mundo."
- " Tenho a consciência limpa em relação os casos de pena de morte que já me passaram pelas mãos (no Texas). Não creio que alguma vez tenhamos condenado um culpado... aliás... Um inocente à morte."

Fraquezas... 

Acordei com uma sensação estranha depois de ter mal dormido. Amarrotado por dentro é talvez a expressão que mais se adapta ao que sinto. Serão restos de pesadelo que não alcançou nível consciente? Talvez. O que sobrou deixou-me num estado de desespero quase intolerável. Ao mesmo tempo irritado de não saber o que é! Detesto mistérios destes...Se calhar não é nada! Pode ser somente da ressaca?
Pois é. Tive um momento de fraqueza esta madrugada. À uma da manhã agarrei-me a uma garrafosa de Logan e, sem sequer dar por isso, deitei-a abaixo. Não , não estava cheia mas digamos que teria o suficiente para o efeito deu. Acompanhada a Madame Butterfly e M. Bolton baixinho. Há muitos anos que isto não acontecia. Não sei o que me deu mas não repito tão depressa. Senti-me covarde e egoísta e estou arrependido. Canso-me muito a contrariar constantemente o meu espírito lamechas e acho que soçobrei por momentos, raios! Não há-de ser nada, se Deus quiser! Um bom domingo para quem aqui vier...

sábado, maio 29, 2004

Decepção... 

Estou desapontado! Calculem que pelo menos duas pessoas se reviram no pequeno trecho que postei ontem! E eu a julgar que tinha descoberto a pólvora...Assim não sei se continue. Efectivamente já está tudo descoberto e inventado...E ainda por cima reacções nada positivas. Um dos e-mail que recebi era a elogiar-me sarcasticamente da minha perspicácia (?) associando-a a informações fornecidas por não sei quem, etc., etc. Isto é espantoso e ao mesmo tempo preocupante. Existem pessoas que centram os acontecimentos do mundo no próprio umbigo. Não sei propriamente se isso é bom se é mau. Não gosto é que sobre para mim! O outro alegava que eu era bruxo ou que me valia de informações mais que confidenciais e que não tinha o direito e mais patati e patata... O mais engraçado é que não conheço nenhum dos cavalheiros. Este post também é para eles. Tenham paciência e please try to get help, urgently! Sorry to say!
Há que repensar este assunto. Tenho bastante mau feitio e não suporto estas merdas. Desculpem!

Começou a travessia do deserto do fim de semana. Contactos irregulares, eventualmente impossíveis. Raras visitas. Enfim, solidão...É aguentar!

sexta-feira, maio 28, 2004

A 3ª tarefa... 

Das três tarefas principais, inventadas já não sei por quem, só me falta escrever um livro para ser um homem dito completo. Um romance. E porque não baseado em acontecimentos da blogosfera? Ou não propriamente um romance mas uma súmula de pequenos contos. Episódios consequência de relacionamentos criados no seio desta tão heterogénea multidão. Histórias secretas que se passam por detrás dos ecrans, ! Tragédias, comédias e, porque não, banalidades do dia a dia com interesse humano.
Já tenho alinhavado o primeiro:
"... Faço hoje 80 anos. Vi-a ontem na televisão. Chorei de saudades até adormecer rendido pelo cansaço. Era um programa sobre reabilitação de deficientes, exactamente o quê não percebi. Na altura o som encontrava-se adaptado à leitura em que me embrenhava e os meus ouvidos...bem...Acredito que estava na qualidade de directora de uma instituição dedicada aquela actividade. Não fui a tempo de alterar o volume. Enterrei-me mais no sofá. Nunca me perdoarei de, na altura, não lhe ter dito quando fiquei só. Só, como ainda vegeto há tanto tempo. Está intocada pela vida nos seus lindos cinquenta e poucos. Por outro lado se calhar fiz bem. Acho que lhe queria demais para a obrigar a tomar conta de um velho como eu. Pela primeira vez pensei mais noutro que em mim e, ao mesmo tempo, estou mortalmente arrependido.
O princípio de tudo foi há..."
Aviso já que, se me roubarem a ideia, processo aquele que se atrever!

quinta-feira, maio 27, 2004

Sol 

Brilha o sol em todo o país. Brilha mesmo. E não é pela vitória do FCP. É simplesmente uma questão meteorológica. Acredito que cada um de nós também tem um sol privado. Que pode cintilar ou não independentemente do corpo celeste homónimo. O meu hoje vai ter um brilho especial. Será um brilho suave, nostálgico, em tons de laranja e azul céu de uma manhã de Verão. Só que a esta hora ainda não nasceu. Fui por ele, esperando que me encandeasse mas recusou-se, atrasando o momento pelo qual tanto anseio todos os dias. Eu compreendo. Ser sol não é tarefa fácil. E se o Astro Rei propriamente dito é pontual e previsível o nosso pequeno astro particular, como concepção humana, tem direito aos seus caprichos e fantasias. Bom dia na mesma...

quarta-feira, maio 26, 2004

Convite... 

Convido quem aqui hoje entrar a pensar, nem que seja só por segundos, em alguém que esteja a passar por injustas dificuldades neste dia. Acreditemos que um pouco de alento reparador chegará de certeza a quem mais dele necessita. Concentremo-nos com muita, muita força na esperança de boas épocas e na limitação temporal do sofrimento destes maus momentos...

terça-feira, maio 25, 2004

Acordares... 

Hoje, não sei porquê, deu-me para imaginar um acordar matinal típico de um casal. Ele, como eu, desperto, vivo, capaz de decidir os destinos do mundo assim que abre os olhos. Ela...bem...ela:
- Rrrmmmpfff...mnham...mnham...mnham...
- Bom dia querida, está uma manhã lindíssima!
- Shhhhhhhhhhhhhhh...cala-te. Deixa-meeeeee...! Não me fales logo de manhã...Não me faças isso, já te disse! Merda! Deixa-me sossegada...
- Mas...mas....desculpa! Ssssó queria...
- CALA-TE E DESAPARECE! Ai a minha vida ...
Há começos de dia piores. Por exemplo partir uma perna a entrar para o duche, estilhaçando a porta de vidro e espetando os cacos em toda a área corporal. E isto para quem for ao duche quente! Por que o frio já cá canta... Um bom dia de solidariedade a quem necessitar!

Vivam as Avós! 

Sabem porque as mulheres vivem muito para além da menopausa, ao contrário das fêmeas de outros animais, as quais podem procriar até à morte? Porque uma avó continua a contribuir para o sucesso reprodutivo da sua descendência ajudando as filhas... a cuidarem dos netos! Um cientista finlandês analisando a história familiar de diversas finlandesas e canadianas entre 1702 e 1879, constatou que o nº de netos cresce com a idade em que morre a avó: por cada decénio vivido pela avó para além da idade reprodutora, observa-se um "ganho" de dois netos. Vária razões podem ser avançadas, desde a disponibilidade da avó para prodigalizar os cuidados necessários aos netos até à transmissão da sua experiência às filhas e às noras. Meninas podem olhar para as sogras com outros olhos!

segunda-feira, maio 24, 2004

Metafísica... 

Temos, de um lado, a Moral cavalgando o corcel da consciência. Do outro, o Amor despojado a pé. Aquela, antiga, experiente, do princípio dos tempos. Este, jovem, inocente mas cheio de força, olhar de fogo. Tocam trombetas. Quais os desfechos possíveis que poderá, esta justa, ter ? Quem quer e pode responder desenvolvendo o tema? Fantasiar à vontade desde que sincero! Alvíssaras...

domingo, maio 23, 2004

Praga... 

Domingo cinzento aqui nas margens do Atlântico. A praga que roguei voltou-se contra mim. Rejubilem, ó ímpios!
Até quem religiosamente me visitava todos os dias falhou! Estava mal habituado...Sinto-me perdido e titubeante agora... Nada mais me sai!

sábado, maio 22, 2004

Ref. Pedido 

Estou muito triste. Um número ínfimo de blogueiros se identificou a meu pedido. Será que os outros têm vergonha de se saber que passam por aquí? Eu sei que este blog é mau mas, que diabo, isso não se pega! Será que têm preguiça? Será para não darem confiança ao palerma? Não sei...Existem alguns que me linkaram que ainda se não manifestaram. Admito que ainda não tenham passado desde que puz o pedido. Tudo bem. Mas não acredito que de 90 visitas só meia duzia sejam blogueiros.Não sou cínico a agradecer aos que se não comoveram. Estou mesmo piurso! Vão dar uma volta ao bilhar grande! Passem bem e um péssimo fim de semana!É uma praga ,é...Porquê?

sexta-feira, maio 21, 2004

Astros... 

Para quem se interessa por estas coisas, saibam que foi descoberto para além de Plutão e do seu pequeno irmão Quaoar, dado a conhecer no ano passado, mais um objecto celeste : Sedna. Não é contudo considerado um planeta, aliás como Plutão hoje em dia. Sedna passa a ser o objecto mais longínquo do sistema solar. A sua temperatura não ultrapassa os -240 graus centígrados daí o nome de Seda , a Deusa dos índios Inuit que vive no fundo do oceano Árctico. Sedna está longe demais para pertencer à Cintura de Kuiper onde se encontra Plutão e outros asteróides gelados e perto demais para ser incluído na Núvem de Oort, de onde vêm os cometas. Ora tomem lá um pouco de cultura celeste ! ...Já podem fechar a boca!
Com os desejos de um bom fim de semana...


Um pedido

Faço um pedido a quem me visita. Gostava de saber quais os meus companheiros da blogosfera que passam por aqui. Ficaria pois muito reconhecido se me deixassem na caixa de comentários o vosso site.
Não é necessário escreverem nada. Só a vossa URL. E basta fazerem-no uma vez. Se estiverem para isso! A frequência não é importante. Vou inserir este pedido todos os dias durante uma semana. Estou com curiosidade de ver quantos se comovem! Obrigado.

quinta-feira, maio 20, 2004

Cheiros 

Primeiro as queixas: de cerca de 20 visitas somente 4 deixaram sinal. A esses o meu imenso obrigado!


Hoje falo-lhes de cheiros. Por exemplo de gases humanos. Gases resultantes do deficiente processamento das matérias ingurgitadas. É assunto que provoca sempre um sorriso, quando não uma gargalhada. Que morrem no instante exacto em que os vapores odoríferos atingem a pituitária do hilário. Não sei se é do calor mas esta questão da pitada tomou proporções assinaláveis nas minhas preocupações diárias. Não por que padeça do mal mas porque padeço com o dos outros. Os cheiros perseguem-me. Os bons também. Desde a mais tenra idade que tenho um sentido do olfacto muito apurado. Em bébé já tinha vómitos com o meu próprio cheirinho a azedo. Que não se atrevessem a deixar-me o babette bolsado! Enfim... O cheiro a traque é tão mau como o cheiro a sovaco. Mas para mim ambos são menos maus que o fedor da trampa de cão. Da de cavalo, não sendo muito fresca, não é desagradável de todo. Incomodativo, raiando o insuportável, é o fartum que se desprende da multiplicidade de cuses que se erguem no fim de uma sessão de cinema em dia de chuva. Acho que é a humidade que amplia a penetração as emanações. Já repararam? Peidos abafados? Cuecas sujas? Ambos? Ó eterna dúvida !
Porque havia de me lembrar disto hoje? Deixa-me cá enfiar o nariz no lenço ensopado em Equipage (Hermès)...


Um pedido

Faço um pedido a quem me visita. Gostava de saber quais os meus companheiros da blogosfera que passam por aqui. Ficaria pois muito reconhecido se me deixassem na caixa de comentários o vosso site.
Não é necessário escreverem nada. Só a vossa URL. E basta fazerem-no uma vez. Se estiverem para isso! A frequência não é importante. Vou inserir este pedido todos os dias durante uma semana. Estou com curiosidade de ver quantos se comovem! Obrigado.

quarta-feira, maio 19, 2004

Calor 

O tempo vai já muito quente. As ideias derretem-se antes de poderem ser expressas. E o papel, ao mínimo traço esboroa-se, húmido que está do suor que me cai da testa. Belíssima desculpa para nada escrever. Hoje. Hoje que estou feliz. Realizo um daqueles pequenos sonhos imediatos. Que apesar de parecer nada de mais, é. Não só para mim, acredito. Pouca coisa mas o simplesmente possível. Uma minúscula pedra de uma construção muito especial, forte e misteriosa...


Um pedido

Faço um pedido a quem me visita. Gostava de saber quais os meus companheiros da blogosfera que passam por aqui. Ficaria pois muito reconhecido se me deixassem na caixa de comentários o vosso site.
Não é necessário escreverem nada. Só a vossa URL. E basta fazerem-no uma vez. Se estiverem para isso! A frequência não é importante. Vou inserir este pedido todos os dias durante uma semana. Estou com curiosidade de ver quantos se comovem! Obrigado.

terça-feira, maio 18, 2004

Diferenças... 

Não costumo postar transcrições. Mas hoje não consegui resistir... O que segue explica-se por si. O assunto está mais que debatido. Mas apresentado de forma tão clara, como os brasileiros o conseguem fazer, torna-se irresistível. Não perco uma oportunidade de contribuir para desmascarar a cáfila que nos "informa". O artigo refere os media americanos. Podem, com toda a segurança, substituir aqueles pelos nacionais que se não notará qualquer diferença.
Com a devida vénia...

Olavo de Carvalho
O Globo, 15 de maio de 2004
Há uma diferença substantiva entre o modo americano e o iraquiano de tratar prisioneiros de guerra. Os americanos os despem, os humilham e até lhes dão uns sopapos. Os iraquianos os esfolam, os queimam vivos ou os degolam, como fizeram aliás com centenas de milhares de seus compatriotas.
Há também uma diferença nas reacções que despertam em seus governos. Os americanos são presos e submetidos a corte marcial. Os iraquianos são aplaudidos como heróis e incentivados a caprichar um pouco mais da próxima vez, por exemplo cortando os pénis dos malditos imperialistas como sugerido por um jornal árabe.
Há por fim uma diferença no modo como as condutas de uns e outros repercutem na mídia. Os feitos iraquianos, quando não omitidos por completo, são mostrados de maneira discreta, fria e sem comentários, como rotinas de guerra. Os americanos são alardeados como crimes contra a humanidade, despertam campanhas mundiais de protesto e se transmutam em crise política, enquanto a indignação suscitada pelos poucos casos comprovados é multiplicada ad infinitum por uma estonteante proliferação de episódios forjados.
O leitor pode averiguar por si essas três diferenças. O contraste que formam é tão óbvio, tão mal disfarçado e tão uniforme, que, tendo em vista as duas primeiras, explicar a terceira pela mera coincidência, ou mesmo por um acordo espontâneo de rancores anti-americanos, seria uma ingenuidade patológica...
...Ao longo de meio século de ensaios, os dois conceitos estratégicos fundamentais da moderna doutrina bélica anti-ocidental, a "guerra assimétrica" e a "guerra informática" ou netwar , acabaram por se articular numa coerência sinfônica infernal que ecoa, sem desafinar, de Pequim a Assunción, de Tashkent a San Francisco.
Guerra assimétrica : inspirada na "Arte da Guerra" de Sun-Tzu, consiste em dar tacitamente a um dos lados beligerantes o direito absoluto de usar de todos os meios de ação, por mais vis e criminosos, explorando ao mesmo tempo como ardil estratégico os compromissos morais e legais que amarram as mãos do adversário.
Guerra informática : emprego sistémico das "redes" para controlar a mídia como instrumento de combate.
Some as duas e terá a descrição exacta do que vê nos jornais e na TV todos os dias.
O fenómeno já foi bastante estudado. A bibliografia a respeito é tão vasta que não há desculpa para quem ainda tente se fazer de inocente e alegue que estou inventando coisas.
Sobre a guerra assimétrica, o estudo mais actualizado é o de Jacques Baud, La guerre asymétrique ou la défaite du vainqueur (Paris, Éditions du Rocher, 2004). Baud é um analista estratégico suíço, conselheiro de vários governos europeus e autor de uma Encyclopédie des terrorismes. .
Sobre a netwar , a obra-padrão é The Advent of Netwar , de John Arquilla e David F. Ronfeldt, publicado pela Rand Corporation, que pode ser descarregado do site
http://www.rand.org/publications/MR/MR789/
A eficácia do uso convergente das duas técnicas é variável. Comprovado e inequívoco, em vez disso, é o seu efeito mercadológico, ao menos nos EUA. Ao longo dos últimos anos, a credibilidade da grande mídia norte-americana, isto é, anti-americana, caiu vertiginosamente. Segundo pesquisa do "Project for Excellence in Journalism" (Columbia University), a confiança nos jornais baixou de oitenta por cento para vinte por cento. Hoje, só um entre cada cinco americanos acredita nas notícias que lê...

Sem comentários.

segunda-feira, maio 17, 2004

Segunda-feira 

Segunda feira de manhã é sempre um momento terrível. Detesto surpresas. Inúmeras vezes a situação prolonga-se ao longo do dia tornando-o no dia semanal da ansiedade.
A nível profissional nunca sabemos o poderemos encontrar como resultado do que aconteceu durante o fim-de-semana (para aqueles cuja actividade persiste durante o dito, é claro).
A nível sentimental , e em virtude de alguma episódica separação, perguntamo-nos se tudo se mantém na mesma. Se as palavras que dissemos na sexta-feira, conseguirá a outra parte repeti-las ainda com a mesma veemência na segunda-feira, quando nós, da nossa parte não temos dúvidas.
A nível sanitário, será que as brutalidades gastronomo-alcoólicas não irão ter reflexos nefastos no bom andamento psico-somático disto a que chamamos corpo?
A nível doméstico, surge a preocupação de como arranjar tempo para fazer umas reparações indispensáveis que deviam ter sido feitas durante estes dois dias mas que não o foram por razões de uma intolerável mas abençoada preguiça.
É demais. Ao Domingo devia suceder a terça-feira pois aí chegado, já tudo se resolveu por si. Espero!
Uma boa semana a todos...

sábado, maio 15, 2004

Um Achado...(parteIII) 

...Para se ter sucesso tem que se estar alerta. E ser observador. Preciso cortar lenha para o lume. Tenho um artefacto que me foi dado pelo filho de irmão mais velho de um filho de um homem que compartilhava do mesmo pai que o meu pai. É feito em ferro. Hei-de descobrir com se faz. Há algumas luas, ao trazer uma braçada caiu-me um pau ao chão e eu, sem reparar, apoio o pé no madeiro de tal modo que ele rola e atira-me ao chão. Só me lembro de acordar de pois de ter sonhado. E sonhei que descia colina abaixo com um madeiro daqueles debaixo de cada pé. Só que os madeiros nunca se escapavam para trás e eu conseguia manter o equilíbrio sobre eles. Evidentemente que tal era impossível na realidade. A não ser que eu conseguisse manter os pé fora do contacto com os madeiros mas de algum modo ligado a eles. Dei várias voltas ao assunto. Neste momento já liguei vários meios troncos cortados no sentido do comprimento a fazer uma plataforma, obtive 4 fatias com a grossura de três dedos e o tamanho de um palmo, liguei-as duas a duas aos topos de um tronco mais delgado, não sem antes ter feito passar esses troncos por dois orifícios abertos em quatro peças triangulares, as quais fixei, duas a duas, na face inferior da plataforma . Fiz vários destes deslocadores.
O primeiro tronco que usei para as bolachas tinha quatro faces. O deslocador obtido tinha um andamento altamente incómodo pelos solavancos que dava. Alem do mais, quando parava era quase impossível ao meu filho pô-lo novamente em movimento comigo em cima. Pensei que se arranjasse um tronco com 3 lados o progresso seria aceitável pois sempre haveria menos um solavanco em cada volta. Cheguei à conclusão que havia uma pequena falha de raciocínio. E cheguei à roda redonda pelo processo mental inverso.
A saída da cova desce fortemente. E tem uma pedra grande em baixo que me obrigaria a desviar a trajectória do deslocador. Ainda não consegui resolver esse problema nem tampouco a maneira de o fazer parar em tempo útil. Não desisto. Ao mesmo tempo vou aproveitando os destroços para novos fogos...

Acaba aqui o relato. Sem comentários!


sexta-feira, maio 14, 2004

Um achado...(parte II) 

...Continuo a desenhar, sentado sobre as penas macias de várias aves que comemos, à entrada da cova onde há mais luz. Tenho que mudar as penas pois estão velhas e sujas. Nesta última pancada que dei para terminar uma linha, após aparecer uma daquelas luzes, noto que uma das penas começa por sua vez a deitar pó, de cheiro diferente, e desaparece envolta em luz e ao mesmo tempo sinto uma dor aguda na parte interior da perna. Vejo a pele mudar para vermelho e aparecer uma espécie de baga branca que dói fazendo lembrar, em pior, o que sinto quando encosto o antebraço à pedra preta na altura do ano em que a fruta é abundante. Tenho que pensar neste fenómeno. Pode ter uma utilidade insuspeita..
Já quase que domino o que chamei de fogo. Descobri que se conseguir elevar o calor de determinados materiais consigo produzir o fogo. Até esfregando dois paus secos. Ainda não mostrei a ninguém. Acho que vou poder poupar umas idas em busca de comida. Vou pedir a reunião de uma assembleia da tribo aos anciãos. Quando estiver toda a gente, trago um pequeno fogo já feito e ofereço o segredo em troca de comida e peles. Cada macho trará a sua parte. Todos terão que aceitar em simultâneo. Fixei o preço individual num porco-do-mato e três pássaros médios. Fazendo as contas, não tenho espaço para guardar mais do que o total assim a obter.
É interessante o que se pode fazer com o fogo. Para já, quando as árvores estão sem folhas faço um fogo à entrada e posso passear-me na cova sem coberturas. De uma vez o meu filho , na brincadeira, atirou-me com uma ave já depenada que me falhou e caiu nas pedras em fogo. Imediatamente me precipitei e cuidadosamente retirei a comida do braseiro. Ao fazê-lo notei um aroma agradável na carne. Provei e nunca mais quero outra maneira de comer carne. Então a de porco-do-mato fica insuperável. Tenho é que arranjar maneira de que o cheiro não saia da cova. Não é agradável ter uma multidão de (intraduzível) a babarem enquanto preparo os alimentos . Estúpidos... (continua)

quinta-feira, maio 13, 2004

Um achado...(parte I) 

Numa das minhas voltas higiénicas pela Serra de Sintra, bicicleta de montanha e tudo, tive um acidente. À vista do Autódromo começo a descer uma rampa que terminava em baixo com uma rocha já em desagregação, continuando o caminho para o lado direito. Por qualquer razão misteriosa, não consigo travar e espeto-me inteirinho contra o pedregulho. Ferido exclusivamente no amor próprio e não podendo dizer o mesmo da máquina telefono a pedir auxílio.
Dou uma volta enquanto espero e alguma coisa me desperta a atenção... Por detrás de umas infestantes, e entalada entre duas lajes, jaz uma pedra com uma forma assaz estranha. A sua superfície, já gasta, apresenta uma série de caracteres denunciando eventualmente uma forma de escrita.
Após inúmeras diligências no sentido de decifrar os supostos hieróglifos, consigo finalmente encontrar quem resolvesse o enigma.
O que a seguir se relata, que por ser um pouco longo será publicado em 3 vezes, mostra ao que podem chegar as coincidências. Neste caso geográficas e conceptuais.
......................
"
...Chamam-me Za-Tar. Da tribo Hu-Ka. Somos muitos. Temos fama de pouco espertos. Os homens são, na sua maioria, belos espécimens. As mulheres nem por isso. São muito magras, altas. Boas parideiras contudo.
Eu fujo ao padrão dos homens. Sou baixo e entroncado e sou considerado como com facilidade em aprender. Há pouco sangue forasteiro na nossa tribo. O pai do pai do meu pai de uma vez que se juntou com uma filha da irmã do seu próprio pai, nasceram filhas cegas e surdas. E também muitos machos e outras fêmeas que são aptos. Acasalei três vezes e tenho cinco descendentes machos. Tenho orgulho neles. Seguem a tradição de boa aparência mas de cabeça saem a mim.
Habito uma cova boa que me abriga da água que cai do céu , da luz do dia que queima e do ar que endurece a água nas poças do chão. É funda mas com luz. Coabitam comigo uma mulher e o filho mais novo que dura há 78 vezes que a luz da noite aparece redonda. Estou à entrada a desenhar este relato. Tenho umas pedras novas de desenho. Conseguem afiar-se muito bem e são bastante duras. Mas têm um inconveniente. Quando bato com mais força deitam luz e uma espécie de nuvem de pó, da cor das nuvens, com um odor estranho.
Hoje estou inquieto. A minha cria não está bem. Treme como varas verdes e emite sons incompreensíveis. A mulher torce-se de aflição. Tenho que preparar uma papa apaziguadora. Sei como se faz. Foi-me ensinada pelo pai da minha mãe. Não digo a ninguém o que lá ponho dentro mas recolho o ingrediente principal no fundo mais escuro e húmido da minha cova. Estou de volta. Já fiz a papa. A mulher que a dê ao mocinho. Há-de ficar bom. É forte. "(continua)

quarta-feira, maio 12, 2004

Igualdade... 

Estava hoje a tomar o pequeno-almoço com o ruído de fundo da televisão acabada de ligar. As notícias chegavam em catadupa, prenhes daquele espírito positivo a que nos querem habituar à força os meios de comunicação da nossa praça. Nisto há qualquer coisa que me desperta a atenção! Por vezes ainda o conseguem. Mas cada vez o teor do que me abala tende a ser mais escabroso. Foi o caso. "...Iraque, decapitam um prisioneiro civil norte-americano, técnico de telecomunicações...". Olhei. Cinco embuçados armados vociferam por detrás dum homem de joelhos, atado de mãos atrás das costas, virados todos para a câmara. A monotonia do take é compensada pelo dramatismo e tensão da cena . Com um gesto rápido, o energúmeno do meio saca de uma faca e ali mesmo degola o infeliz cativo. Perante os meus olhos! Que Deus se apiade da sua alma!
Que razões, por mais justas que possam parecer, justificam tamanha selvajaria? Por que perpetradores criminosos deste calibre terão os mesmo direitos perante a justiça que a vítima inocente?
Por que me obrigam a ser testemunha de um crime que estou impossibilitado de denunciar? Por que me fazem sofrer a agonia horrorosa de um condenado sem apelo? Por que dão publicidade a um acto totalmente desprovido de humanidade? Sinto vergonha e raiva pelo facto da lei me equiparar a estes cães raivosos! Que os media chamam de "resistentes". Sem comentários.Perdoem-me. Mais uma vez deixo que as lágrimas corram na tentativa , vã certamente, de lavar tanta revolta...

terça-feira, maio 11, 2004

Um sonho... 

Passei a noite contigo, sabes? Como podes saber se estavas a dormir! Bela partida...Nem calculas como entrei . A janelinha do canto, a que fica só no trinco...esqueceste-te de a fechar! Pois é. Foi fácil abri-la. Já foi mais difícil passar por ela pois as nossas dimensões são quase incompatíveis. Entrei por existir "quase".
Os teus cães deram por mim mas farejaram gente que vem por bem. Um abanar de cauda e um poisar de focinho com suspiro. Estava tudo em silêncio com um fundo do teu respirar pausado e tranquilo. Estavas deitada de lado. As pernas ligeiramente dobradas, as duas mãos, palma com palma, serviam de almofada ao teu rosto iluminado pela luz da lua. Deitei-me de mansinho nas tuas costas em posição semelhante à tua, os meus joelhos na cova dos teus. Sentei-te ao colo! E tu, sem dares por isso, aconchegaste-te, soltaste um pequeno gemido e esboçaste um sorriso radiante de felicidade. Dei-te um beijo ao de leve na bochecha para te não acordar.
Passei o braço sobre ti afagando o teu cabelo brilhante e macio. Com cuidado, fiz deslizar a minha mão sob as tuas e agarrei-as com carinho. Com a minha face mergulhada no teu cabelo, era meu todo o teu cheiro. Acho que adormeci! Quando de manhã acordei tu não estavas e casa não era a tua! Dei por mim na minha própria cama, vestido como me tinha deitado! Nesse momento caiu sobre mim a mais negra tristeza. Há sonhos que deviam inibir automaticamente o acordar... Chorei mesmo!

segunda-feira, maio 10, 2004

Unhas 

Roo as unhas praticamente desde que nasci. Lembro-me, ainda no berço, enquanto os outros bebés chupavam o dedo grande do pé, eu, único e inigualável, tentava apanhar saboroso naco, com as minhas gengivas desdentadas, da unhita que apenas despontava do rosado dedinho.
É pois um hábito que se me encontra arreigado até, digamos que, ao tutano.
Apesar disso, como só os burros é que não mudam, aqui me encontro eu, ao fim de várias décadas, fazendo esforços mirabolantes para não enfiar os dedos, agora das mãos, na boca nervosa.
Como qualquer outra dependência, o hábito de remover as unhas biologicamente por meio dos próprios instrumentos corporais é dificílimo, senão impossível de ultrapassar. O descarregar de tensões à custa de dentadas ritmadas que culminam com aquele ruidinho característico de pequenas castanholas quando final mente a integridade do pedaço de casco humano é irremediavelmente abalada, é intrinsecamente sedutor e inevitável. Quem se dedica a esta vergonhosa actividade sabe a que me refiro. Actividade sim e não passatempo. O passatempo pressupõe consciência.
Dizia eu que estou então envidando esforços para vencer este terrível vício. Como entendo que um blogue deve ter uma componente social arriscar-me-ia a publicar algumas fotos do paulatino crescimento do meus apêndices supra-digitais. Como estímulo aos meus anónimos companheiros de desdita.
Que acham?

sábado, maio 08, 2004

Epílogo 

Fui praticamente rejeitado! Por ter outro emprego. Sim, porque eu avisei antes pois a honestidade, para mim, é fundamental. Não querem que acumule! Não concebem como posso ser leal a dois patrões. Quando muito aceitam-me como estagiário não remunerado. Subentendo que sem direito a quaisquer regalias sociais e sem garantias de estabilidade de situação. Vou aceitar mesmo assim…Estas funções são exactamente o que eu sempre desejei e só agora encontrei por mero acaso. Na net! Não vou perder a oportunidade por nada, nada deste mundo!
Enquanto me quiserem estarei em pleno estado de gratidão permanente. Têm a promessa que darei o meu melhor, do fundo do coração. A vida dá tanta volta, a empresa é jovem e está em pleno crescimento. Quem sabe o que o futuro nos reserva? Mas quando acharem que a situação é insustentável podem mandar-me embora! Tenho o coiro rijo e já passei por muito! Hei-de conseguir apanhar os cacos do chão e pô-los no caixote do lixo, onde ninguém tropece… Mas façam força por mim, sim?

sexta-feira, maio 07, 2004

...(silêncio) 

Hoje não posto! Não tenho nada para dizer. Estou concentrado nas minhas próprias emoções. E não quero perder pitada. Desde manhãzinha que assisto às suas correrias de um lado para o outro. Parecem crianças. Não posso perder nenhuma! Meninos, então, calma! Não se empurrem que se magoam! Tu aí, para com isso, não és mais que os outros... e tu, dá-me um pouco de espaço que me sufocas! Isso, assim sim...Vá , vamos lá aos seus lugares...assim...assim...

quinta-feira, maio 06, 2004

Recordações... 

Nas minhas raras arrumações em casa fui descobrir esta carta que escrevi a meus pais , estava eu a estudar longe de casa, e por causa da qual o meu pai esteve três meses sem me dirigir palavra!


Querido Pai e Querida Mãe

Já faz três meses que estou na Universidade, e demorei muito tempo a escrever-vos.
Peço desculpa pela demora, mas agora vou colocar as notícias em dia.
Antes de continuar, por favor, sentem-se. Não continuem a ler antes de se sentarem, ok?
Agora já estou melhor. A fractura e o traumatismo craniano que tive ao pular
da janela do meu quarto em chamas, ao chegar aqui, estão praticamente curados.
Passei as duas semanas no hospital, a minha visão está quase normal e aquelas
terríveis dores de cabeça só voltam uma vez por semana. Como o incêndio foi causado por um descuido meu, teremos que pagar à Universidade 5 mil contos (25 mil euros) pelos danos causados, mas isso não é nada, pois o importante é que estou vivo.
Felizmente, a empregada que trabalha na lavandaria em frente, viu tudo.
Foi ela quem chamou a ambulância e avisou os bombeiros. Também me veio visitar ao hospital, e como eu não tinha para onde ir, já que o meu quarto ficou reduzido a cinzas, teve a gentileza de convidar-me a viver com ela. Na verdade é um quarto no sótão, mas é muito agradável.
Ela tem o dobro da minha idade, estamos perdidamente apaixonados e queremos casar. Apesar de não termos ainda fixado a data, espero que seja antes que a gravidez seja muito evidente.
Pois é, queridos pais, vou ser papá. Sabendo que vocês sempre quiseram ser avós, tenho a certeza de que acolherão muito bem as crianças (são trigémeos), com o mesmo amor e carinho que me deram quando eu era pequeno.
A única coisa que ainda esta a atrapalhar a nossa relação é uma pequena infecção que a minha noiva apanhou, e que nos impede de fazer os exames pré- matrimoniais. Eu, também por descuido, acabei por me infectar (sífilis), mas estou melhor com as doses diárias de penicilina que agora estou a tomar.
Sei que vocês a receberão com os braços abertos na nossa família.
Ela é muito amável e, apesar de não ter estudado, tem muita ambições. Da mesma forma, apesar de não seguir a nossa religião, tenho a certeza que vocês vão ser tolerantes. Tenho a certeza de que a amarão tanto quanto eu. Como ela tem mais ou menos a sua idade, mãe, tenho a certeza de que se darão muito bem e que se divertirão muito juntas pois, como a casa onde vivemos é muito pequena, pretendo voltar para casa com toda a minha nova família.
Os pais dela também são pessoas muito boas. Parece que o pai dela foi um marceneiro famoso na aldeia africana de onde eles vieram.

Agora que já sabem de tudo, é preciso que lhes diga que não ocorreu nenhum incêndio, não tive nenhum traumatismo craniano, não estive hospitalizado, não tenho noiva, não tenho sífilis e que não há nenhuma mulher na minha vida.
A verdade é que tirei 0 a Física, 2 a Matemática, 1 a Biologia e quis mostrar-vos que existem coisas bem piores na vida do que notas baixas.

Um beijo de vosso filho que vos ama muito.


quarta-feira, maio 05, 2004

Falando com os meus botões... 

Sinto-me um pouco místico hoje. Chego a acreditar que quem é bom e de alma grande, cá em baixo, tem a solidariedade do Céu.
Está um dia cinzento e a chuva que cai pode perfeitamente representar o pranto companheiro e amigo do Altíssimo junto daqueles que hoje sofrem em memória dos que partiram nesta data.
Poderíamos perguntar-nos se um Sol radioso não seria mais adequado. Mais animador. Mais estimulante para as recordações alegres de tantos momentos passados com os desaparecidos. Seja...mas Deus é sobretudo Coração. E a piedade é o sentimento mais expontâneo em face da infelicidade alheia. A consolação vem a seguir. Amanhã estará um dia radioso.
Eu entendo assim.

terça-feira, maio 04, 2004

À espera... 

Acho que tenho de arranjar maneira de subornar o entrevistador!
Nunca mais me chamam...Será que me espalhei? Apesar dos nervos até me consegui conter!
Sabem, sofro um pouco de aerofagia ... Toda a atenção é pouca para evitar o aparecimento de algum intruso, he,he,he! E quando ele entra, que é como quem diz, sai, ninguém o consegue devolver à base, he,he,he! Mas, brincadeira à parte, tenho a certeza que estivemos sós durante toda a sessão.
Acho que consegui também controlar o pequeno tique produtor de pontapés ritmados em tudo o que se encontra ao alcance do meu pé direito. Sim, é só no direito. Porquê?... Não faço ideia!
Também como estive sempre com uma das mãos a tapar a boca, aquele esgar espasmódico para o lado esquerdo, seguido de tês escancaramentos da boca e uma piscadela de ambos os olhos não deverá sido notado.
Só se...
...Às tantas o entrevistador deixou cair a tampa da caneta e eu, solícito, não chegando com os pés ao chão, estico-me um pouco para fora da cadeira e tento dar um “toque” (futebol é comigo) na dita, por sob a mesa, direito às mãos da criatura . Tendo-me esticado demais, falhei a tampa mas não falhei o joelho do interlocutor.
Não lhes digo o que aprendi nesta nossa língua pátria e nem me atrevo a transcrever os sons coevos.
Eu tinha comprado uma embalagemsinha de curitas a um garoto à entrada do prédio, e ainda me ofereci para lhe fazer um curativo pois era só “arregaçar a perna da calça e ir buscar uma gilette para rapar um pouco em volta , etc,” vocês sabem, primeiros socorros. Disse-me: De modo nenhum, não se incomode! E um apressado Estou satisfffeeeitoto! e mais um Po-po-de ssair se se ffaaaz favor!
Mas não lhe senti qualquer animosidade especial!
Olhem, não sei que faça!

Sorria! 

MEIA IDADE
A meia idade a altura da vida em que o trabalho já não dá prazer, e
o prazer começa a dar trabalho !!!

PENSAMENTO DO MÊS DE ABRIL
Melancia grande e mulher boazona, ninguém come sozinho.

ASSÉDIO
Um homem passa pela sua colega de escritório e diz que o
cabelo dela cheira muito bem.
A mulher vai, imediatamente, ao gabinete do chefe e diz que
quer fazer queixa de assédio sexual. O gerente fica admirado e diz:
-Qual é o mal de um colega lhe dizer que o seu cabelo cheira bem???
A mulher responde:
- Ai não tem mal? E se ele for anão?

VAIS PARA O CÉU
Quando eu era pequenino, a minha avózinha tanta vez me
disse :
- Porta-te bem sê um bom menino, para ires para o Céu! Porra!
... Mas não me disse que tinha que morrer !!!


segunda-feira, maio 03, 2004

A entrevista (continuação do post anterior) 

Estou sentado numa cadeira dura em frente do entrevistador. Não sei se de propósito, a altura das pernas da cadeira não me permite chegar com os pés ao chão. Ali estou eu com os pésinhos a dar a dar, indefeso, consciente do ridículo da situação e querendo mostrar um à vontade que teima em me evitar.
Para disfarçar o embaraço puxo o boné para a nuca. Talvez quisesse, inconscientemente, pôr-me mais alto do que o outro: assim talvez a ponta da pala ultrapassasse o nível da moleirinha do indivíduo.
O diálogo começa monólogo. Dele. Consigo responder, vagamente, com grunhidos mesclados com outros sons onomatopaicos. Nunca me vi nestes assados! Ao que um homem já feito pode chegar! É impossível descer mais baixo na escala do orgulho. O suor nos sovacos era tanto que julguei que tinha de dar umas braçadas para não me afogar! Agarrando os derradeiros resquícios de dignidade consigo balbuciar: segura-te Emílio dum raio!
Sinto que, tímida, uma certa acalmia desperta...mas ainda não recomposto, é-me aplicado o 3º grau das técnicas dissuasórias . Perguntas em tom insinuante, a cavalo umas nas outras e em rajada, abrem-me buracos numa couraça que não cheguei a envergar. A minha vida ficou a nu! É que nem dei por isso! Um verdadeiro profissional! Vai a gente preparados para contar umas estoriasinhas mais ou menos compostas e alindadas, inventamos um curriculum mais ou menos impressionante eis senão quando a realidade arrasa-nos. Em resumo foi assim. Não sei qual será o resultado mas, apesar de tudo a esperança é muita! E se eu quero tanto este novo emprego!

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